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COM QUANTOS TIJOLOS SE CONSTRÓI UM SONHO?

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COM QUANTOS TIJOLOS SE CONSTRÓI UM SONHO?

Na tarde quente e ensolarada do dia 19 de março de 2016, moradores de Piquiá de Baixo, bairro de Açailândia (MA), reuniram-se em assembleia para juntos darem mais um passo no processo de reassentamento da comunidade. A reunião contou com a participação de assessores técnicos da Usina Centro de Trabalhos para o Ambiente Habitado, que dá suporte na elaboração e execução do projeto do futuro bairro.

 

A assembleia foi precedida por uma apresentação de dança do balé junino, grupo formado dentro da quadrilha junina Matutos do Rei. O momento cultural foi para dar uma boa notícia aos moradores: neste ano de 2016, a luta da comunidade ganha um reforço sendo a temática da quadrilha tricampeã do Arraiá da Mira, um dos maiores eventos juninos da região Tocantina, e que por três vezes representou o Maranhão no Globo Nordeste.

 

Sob o tema ‘Verdade e Amor se encontrarão, Justiça e Paz se abraçarão: um espetáculo sobre Piquiá de Baixo’, os mais de 100 componentes da Matutos do Rei serão porta-vozes da comunidade. Como explicou Johnatan Polary, presidente da quadrilha, “a causa de vocês, agora é nossa causa e essa causa será contada de uma forma poética, de uma forma artística… Toda essa luta que vocês vêm travando durante esses anos, a Matutos do Rei vai levantar essa bandeira e retratá-la”.

 

Após a apresentação cultural, os assessores técnicos da Usina explicaram como está o andamento do projeto, quais as próximas etapas até o inicio da construção das casas e tiraram dúvidas dos moradores. “A gente está no momento de desenvolvimento do projeto para obra. É o projeto que a gente chama ‘executivo’, que é desenhado com todos os detalhes (qual o tamanho da porta, quantos tijolos, quantos metros quadrados de pavimento e etc.). Decidindo tudo isso, a gente vai poder finalmente começar a obra”, esclareceu a arquiteta-urbanista, Cecília Corrêa Lenzi.

 

Ao mesmo tempo em que o projeto executivo será concluído pela Usina, a equipe sociojurídica, contratada pela Associação de Moradores de Piquiá de Baixo para acompanhar a comunidade, estará trabalhando para finalizar o cadastro das 312 famílias que serão reassentadas. Por meio de um painel explicativo, a equipe, composta por uma assistente social, uma secretária e um advogado, demonstrou as pendências e o cronograma de trabalho. “Nós temos um tempo para tornar todos os números vermelhos em azuis. O que é vermelho hoje são as situações que a gente deve resolver logo, situações urgentes e o nosso prazo é muito curto para resolver tudo isso”, disse Laliany Sousa, secretária da equipe.

 

Ao final da assembleia foi exibido um trecho do documentário “Aconteceu d’eu sonhá”, produzido pela Usina após uma visita da equipe à comunidade de Piquiá de Baixo, em dezembro de 2015. O vídeo retrata um pouco da luta dos moradores que, desde meados da década de 1980, sofrem os impactos negativos da siderurgia e da mineração, mas que nos últimos sete anos vêm lutando por reassentamento em uma nova área, livre da poluição. Há um processo longo pela frente até a construção das novas casas, enquanto isso eles vão construindo juntos o sonho de um futuro melhor.

Por Idayane Ferreira

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