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PIQUIÁ DE BAIXO EM FESTA

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PIQUIÁ DE BAIXO EM FESTA

“Tia, vai ter cachorro quente?”

“Tia, vai ter Brinquedo?”

“Ei, ei, que hora vai começar a festa?”

 

Era sábado, 9 de janeiro, as crianças foram as primeiras a chegar na quadra de esportes do Piquiá de Baixo, Açailândia-MA, local da festa em comemoração à aprovação do projeto de reassentamento do bairro. Ainda se ornamentava o local, quando elas chegaram enchendo a equipe da organização de perguntas, que por sua vez, se desdobrava para arrumar o espaço e, entre uma pausa e outra respondia aos pequenos ansiosos.

 

“Sim, vai ter cachorro e pipoca também! ” Respondia um.

“Vai ter pula-pula para vocês. Vão cansar de brincar. ” Dizia outro.

“As cinco da tarde a gente começa, se acalmem. ” Acrescentava.

 

Aos poucos, tudo foi sendo montando. Palco, cadeiras, mesas, churrasqueira, barracas para distribuição de comidas, pula-pula e campinho de futebol, esse se mostrou com um gramado digno de jogos da série A do Brasileirão. É! Talvez seja exagero do repórter que vos escreve, mas a empolgação e animação demonstrada na Arena Piquiá foi igual ao que se ver nos grandes estádios de futebol espalhados pelo Brasil.

 

A partida que reunia os times dos Padres Combonianos contra o time dos Moradores de Piquiá de Baixo, começou as 17h, dano início a festa que se estenderia até a meia noite. Voltando ao jogo, logo nos primeiros minutos o time de moradores já havia marcado três gols e toda a torcida começava a relembrar o jogo Brasil X Alemanha, de fato foi bem parecido, foram marcados um gol após o outro e o placar só esticava… Até que enfim! O time dos padres fez o seu primeiro gol, estava 7 a 0 nesse momento, mas o gol marcado pelos religiosos levantou a torcida, que gritava, aplaudia e incentiva. “Valeu padre, é isso aí, não desiste não”, bradavam. A torcida deu certo, os combonianos marcaram mais seis gols, porém, o time dos moradores já somava 21 gols e o jogo terminou assim, com um placar elástico de 21 a 7.

 

Do lado de fora do campo, a festa seguia, e mais disputada do que o jogo, era a fila para entrar no pula-pula, brincavam cinco crianças por vez, no período de 5 minutos, eram os cincos minutos mais risonhos da comunidade. Com cachorro-quente em uma mão e um copo de refrigerante na outra, a pequena Yasmim da Conceição, 8 anos, relata que a festa está muito boa. “Tô me divertindo é muito no pula-pula e ainda tem cachorro quente para nós, ô coisa boa”, conta Yasmim.

 

A luta pelo reassentamento da comunidade já perpassa uma década, por isso todos comemoraram quando no dia 31 de dezembro de 2015, foi publicado no Diário Oficial da União, que o projeto de reassentamento do Piquiá de baixo estava aprovado pelo Governo Federal. Isso quer dizer que o projeto vai sair do papel e irá se concretizar em 312 moradias formando um novo bairro, longe da poluição.

 

A vice-presidente da Associação de Moradores do Piquiá de Baixo (ACMP), Francisca Silva, mas conhecida como Tida, abre as apresentações na parte da noite relembrando essa trajetória de luta e afirmando que a conquista comemorada, só veio porque todos lutaram juntos. “Eu fiquei muito emocionada com a notícia do último dia do ano passado, mas quero dizer, que essa vitória é fruto da nossa união, da nossa garra, fosse só um lutando, o reassentamento não saía”, relatou Tida.

O projeto de reassentamento do Piquiá de Baixo foi o único projeto do Maranhão selecionado para ser financiado pelo programa Minha Casa Minha Vida, o que mostra a força dessa comunidade em buscar seus direitos. Depois da fala de Tida, iniciou-se o culto ecumênico, celebrado por dois pastores e um padre, unindo os fiéis de ambas as igrejas para celebrarem juntos, uma conquista ‘que é de todo o bairro’.

 

Para garantir que as pessoas ficassem animadas até o fim, foi servido um churrasco acompanhando de arroz, vinagrete e farofa, o que manteve todos dispostos para as atrações que ainda estavam por vir. Após o culto ecumênico, começaram as apresentações culturais, crianças e adolescente do grupo DançArte, envolveram os moradores com danças Afro. O grupo é fruto do trabalho de inclusão social do Centro de Defesa da Vida e dos Direito Humanos Carmem Bascaram, de Açailândia.

 

Outro grupo a se apresentar foi o Balé Junino, que fez uma apresentação de músicas juninas, resultado tirado dos trabalhos que desenvolvem na quadrilha junina Matutos do Rei. Enquanto o grupo se apresentava, ao fundo já se ouvia um som de triângulo, era a banda de forró já se aprontando para animar mais ainda a noite no Piquiá.

 

Para Antônio Rios, morador do bairro, a festa serviu para mostrar a todos que lutar vale a pena. “Hoje nós comemora aqui com essa festa linda, mas isso acontece porque nós já lutamos muito, sei que ainda não acabou, mas podemos dar uma pausa, agora é hora de comemorar”, relata Rios.

 

Os anos de luta contra a poluição emitida pelas siderúrgicas e para reassentar a comunidade, deram uma pausa nesse dia 9 de janeiro de 2016, que ao som da banda Luz Candeeiro, fez todos os moradores dançarem forró pé de serra, esquecerem um pouco a amargura que sofrem e arrastarem os pés pela quadra.

 

Depois de mais de sete horas de festa, o som é desligado, começam a recolher cadeiras e mesas, todos tomam o rumo de suas casas, mas ainda se houve as vozes de alguns pequenos, que ficaram até o fim da festa e, entre uma cadeira e outra recolhida, a equipe de organização novamente escuta perguntas.

 

“Tio já acabou? ”

“Tia amanhã vai ter de novo? ”

“Foi tão bom, quando vai ter pula-pula outra vez? ”

“Tio. Tia…

 

Por Mikaell Carvalho

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