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PIQUIÁ DE BAIXO: UM OLHAR PARA O FUTURO

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PIQUIÁ DE BAIXO: UM OLHAR PARA O FUTURO

Enquanto muitos esforços se concentram em elaborar ações para garantir a sobrevivência das gerações futuras, outros seguem o caminho inverso e priorizam apenas os interesses individuais. Essa é a principal característica dos grandes projetos de “desenvolvimento” do Brasil, que se instalam próximo às comunidades e tiram delas direitos básicos, como a um ambiente saudável.

 

Hora de uma pausa para conversar sobre o assunto! Duas convidadas e um convidado: Kelly da Silva, Emanuele Souza e Clemerson Santos, ambos de nove anos, se reversam no bate papo. “Eu quero muito ir pra um lugar onde não tem esse barulho. De noite nem consigo dormir, e ainda dá dor de cabeça porque é muito alto”, reclama Emanuele Souza, que mora há poucos metros de uma siderúrgica.

 

Essa realidade é conhecida pela população de Piquiá de Baixo, onde está situado um dos maiores polos siderúrgico do país, ligado a empresa Vale S/A. A população convive com uma realidade hostil, onde o simples ato de respirar representa um risco à saúde. Viver lá é proibido.

 

Esse é o preço que Piquiá de Baixo paga para ver à distância, o enriquecimento dos grandes empresários da mineração. “Eu quero ir para nosso novo bairro porque lá a gente vai ter felicidade. Vamos brincar, vamos ter escola boa sem poeira de ferro”, explica Emanuele.

 

O ar da comunidade é totalmente poluído de pó de ferro, que sai das siderúrgicas e cai sobre as pessoas. As crianças são as mais afetadas. Ficam com o futuro comprometido e perdem o direito básico de viver as criancices. Nem precisam estudar em sala de aula para entender a gravidade do problema, o cotidiano faz desses guerreirinhos grandes conhecedores do que as atitudes agressivas ao meio ambiente representam para as suas vidas.

 

“Nós não podemos nem banhar na chuva, que cai muito pó, que fica encima da casa, a água cai toda amarela, a mãe não deixa a gente banhar”, lamenta Clemorson. Os riscos aparecem nos números, as crianças de Piquiá adoecem pelo menos uma vez a cada mês.

 

O bairro é cortado ao meio pela BR – 010, cercado, de um lado por cinco siderúrgicas, do outro pelos trilhos da Estrada de Ferro Carajás (EFC). Uma grande plantação de eucalipto forma um cinturão verde em torno da comunidade, mas isso não representa nada de positivo para Kelly Silva: “essas árvores não servem de nada, não tem flores e nem frutas”.

 

As últimas décadas foram marcadas pelas grandes discursões em torno do Meio Ambiente. As potências mundiais buscam alternativas para minimizar os sintomas da doença incurável que assola o planeta, o aquecimento global, provocado principalmente pela emissão de gazes poluentes à atmosfera. E assim evitar as grandes catástrofes da natureza que podem dizimar populações inteiras.

 

por Domingos de Almeida

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