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RESISTÊNCIAS E AVANÇOS NO REASSENTAMENTO DE PIQUIÁ DE BAIXO

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RESISTÊNCIAS E AVANÇOS NO REASSENTAMENTO DE PIQUIÁ DE BAIXO

“A gente não consegue ver o tempo”. Essa é a descrição de uma moradora de Piquiá de Baixo quando questionada sobre a poluição que afeta o bairro. O distrito industrial de Açailândia é conhecido internacionalmente pelas violações de direitos sofridos pela população e pela resistência de mais 300 famílias que anseiam por um reassentamento.

Durante essa semana, várias atividades foram realizadas no intuito de denunciar e debater sobre a atual situação dos moradores de Piquiá. As famílias do bairro estão recebendo a visita de pesquisadores do Peru, Argentina, Colômbia e Canadá. O grupo de estrangeiros está conhecendo a realidade da população, conversando com os moradores e participando do cotidiano das famílias. Eles vão levar para seus países, relatos de vidas que tiveram o direito à saúde e a moradia digna violados há mais de vinte anos.

Para a coordenação da Rede Justiça nos Trilhos, entidade que apoia as famílias de Piquiá, a oportunidade de compartilhar as resistências, as lutas e as conquistas dessa comunidade para integrantes de organizações de outros países é importante para divulgar ainda mais a causa, internacionalmente.

Na última terça-feira (29) aconteceu em Açailândia, o lançamento do documentário “Pulmões de Aço: resistências locais frente a injustiças globais”. O documentário é dirigido pelos italianos Paolo Annechini e Andrea Sperotti e retrata os impactos da siderurgia em três bairros distintos: Piquiá de Baixo, no Maranhão; Santa Cruz, no Rio de Janeiro; e Tamburi, em Taranto (Itália). Na ocasião, os espectadores do documentário eram os próprios protagonistas da história relatada. Em paralelo também aconteceu o lançamento na Itália.

Na quarta-feira (30), os moradores receberam a notícia de que o terreno para onde serão reassentados foi pago pelo Sindicato das Indústrias de Ferro Gusa do Maranhão (SIFEMA). O pagamento, que estava incompleto, foi resultado de uma manifestação de mais de 30 horas realizada pelos moradores de Piquiá de Baixo, em frente às siderúrgicas de Açailândia. “Agora o dinheiro já está guardado, será utilizado para pagar a complementação que faltava do terreno para onde serão reassentadas as famílias de Piquiá”, afirma Antônio Soffietine, Missionário Comboniano. Os moradores festejaram a notícia durante uma reunião na Câmara Municipal dos Vereadores de Açailândia.

Hoje, o dia se estendeu com discussões sobre a realidade do bairro, visitas nas casas dos moradores e mais uma apresentação do documentário “Pulmões de Aço”. Soltaram fogos de artifício e festejaram o avanço no processo de reassentamento.

Agora, a luta dos moradores continua em busca da aprovação, por parte da Prefeitura de Açailândia, do projeto urbanístico e habitacional do novo bairro. Com o valor referente ao pagamento do terreno para o reassentamento efetivado, falta ainda a transferência de título para a Associação Comunitária dos Moradores de Piquiá de Baixo. Feito isso, os moradores de Piquiá poderão ver, na prática, o avanço do reassentamento com a construção do novo bairro. E a poluição não será impedimento para que não vejam isso.

 

Rede Justiça nos Trilhos

Mais informações:

Documentário sobre comunidades atingidas por siderúrgicas é lançado em Açailândia:

Pulmões de aço: vídeo ítalo-brasileiro dá voz às vítimas da mineração

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